Mas quem queria viver, sobreviveu? Que queria chorar, chorou Quem queria vida, se arrependeu Quem queria morrer, descansou? Que queria ser duro, amoleceu Quem queria fazer, se esqueceu Quem queria compreender, enlouqueceu? Quem queria um sonho, a noite embalou Quem queria ser, nem percebeu Mas quem queria tudo, se perdeu Quem queria sexo e mulheres, se vendeu Quem queria dizer, se calou Quem queria se enganar, se enganou E viveu sem saber
Escrito por cauelundi às 13h18
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Que viva a poesia
O bom poeta Não se preocupa com a Academia se preocupa sim, com a pressa do preço do feijão Do amor e da vida da tia O bom poeta Não é só alegria Ele tem insônia, família...e melancolia O bom poeta Não se envaidece e nem se sente um nobre; Humilde servo da sabedoria O bom poeta Não se saber era russo ou preto Apenas mundo quente que não é fantasia O bom poeta Trouxe a certeza de seu segmento Num verso rouco, a sua boêmia O bom poeta Me falou um dia De uma noite De uma moça em sua simetria O bom poeta É um ser humano Uma tempestade O bom poeta É uma poesia
Escrito por cauelundi às 13h13
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Evocação de uma poesia Estátua calada, um amor e uma estrada Grãos que brotam dos olhos São lágrimas, uma estrela e uma espada Bandeiras trêmulas entre suas mãos suadas Estão entre a dor e a esperança derrotada Mas seu corpo e alma alada Compasso de dardos em direção errada Música em direção a batida paralisada Que acelera passadas E meu encanto em Lorca, nessa Parada Se torna ave em mais uma um invernada Desejo, beijo seu, mais nada
Escrito por cauelundi às 13h07
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Do meu livro de poesias O Volume do Silêncio
Pedras Em memória a Carlos Drummond de Andrade Pedras que rolam: rolling stones Pedras de altar: Perfeito Ashlar Pedras que voam: mísseis, granadas Pedras que imitam pedras: bijouterias Pedras que se auto-destroem: bombas-relógio Pedras que calçam ruas: paralelepipedos Pedras da vida: destinos, sinas Pedras-marinhas: princesas, rainhas Pedras naturais: simples e pequeninas Pedras que falam: idiomas, línguas Pedras da esquina: curvas, encruzilhadas Pedras que nada fazem:...,...,.... Pedras que machucam: pedras, palavras Pedras de amor: beijos, abraços, risos e afagos Pedras de guerra: amargas, sórdidas; lágrimas Pedras, pedras, pedras...na estrada Poema escrito em 1994
Escrito por cauelundi às 00h05
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Do meu livro de poesias O Volume do Silêncio Explosão Demográfica Pétalas de vidro despedaçaram o fio da navalha Aguda e incisiva Que em outros corpos relutaria na teimosia dos quadrúpedes sem fala Rompendo o menisco nupcial das vidas Sensorial e nefasta Que em outros corpos calaria na voz sombria das mortes Sentindo o corte profundo de seus átrios Imunda e solene Que em outros corpos quebraria os ossos do ofício Colocando a matéria sobre o alaúde de ouro e lata Socando a terra com suas linhas Menina é órfã Tosca mina de confetes de carvão Espetada sob a luz difusa das mãos enraizadas Colocando-se sobre os pés e pulmões de fuligem do hospital-cemitério Louca e virgem Que em outros corpos seria a flor das casas de Madame Mimi Roída e consumida com a fumaça branda das altas rodas Quebrada nos encanros das alianças partidas, da noite extinguida Dinamite e grana Que em outros corpos deslizaria terra e inundaria vales Com a mesma graça das bombas nos tetos de Hiroshima Nos bares do ópio, na descarga dos cartéis amazônicos Força e trincheira Que em outros corpos sufocaria as chibatas do anjo imperialista Defensor das terras alheias e canhão contra a "peste comuna" Sofrendo nos calcanhares essa sapatilha de madeira trepadeira Prosa e lágrimas Que em outros corpos entoaria o canto da poesia de Neruda Com suas garras de cobre e sal Cobrindo o mar de sonhos Para que a sombra dos olhos não apagassem as pisadas de nossos corpos Nem a Lua convidasse as estrelas a se esconderem no seu véu de majestade Nua e pura Que em outros corpos fosse apenas corpos Sem marcas Longe da fúria das madames ocidentais Vestidas com a pele e a alma desses corpos No frenesi de suas embarcações santas Que em outros corpos seria o odor universal Dos corpos imaculados Na cidade do homem sem corpos Poema escrito em 1995.
Escrito por cauelundi às 23h46
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Mesmo que a fúria fosse um instante de convulsão vacilante, prestes a se atirar no abismo da choradeira previsível, não sobraria pedra sobre pedra, nem mesmo águas de possíveis mágoas. Mesmo na invisibilidade provável de um ser mutante, bastaria-me apenas um grito que atingisse a minha louca consciência. A partir daí não seria mais necessário anos de análise, de fugas precipitadas à fases remotas do discernimento. Os divertimentos teriam assento em qualquer lugar do presente. Liberdade profana!!!! Liberdade insana e constante, de braços abertos para a mais intensa e criadora imaginação. Não ao não!!! Um impulso de vida é sempre presságio para o inesperado. Não se conta o tempo do relógio do agora; tormento dos sábios, de outrora, senhores-senhoras. Um impulso de gozo anima o corpo e aditiva o embate. A guerra sutil dos contrários é mero desejo de plausabilidade!!! Equilíbrio eterno dos fios tênues e necessários. Rima interna!!! Caverna futurista plena. Valorizar o que se tem, e o que se poderá ter e conquistar. Um sonho jamais irá abalar o lar dos apaixonados. Ando de lado; pressinto, cheiro, olho... e farejo! Um desejo se inicia pelo simples prazer de querê-lo. Assim se criam mitos e alguns enredos. A vida é um jogo de dados de apenas acertos? Escrito em 31/03/2008
Escrito por cauelundi às 23h25
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Trecho do meu romance "Uma breve estória" Escrever num ritmo alucinado. Tipo caleidoscópio de uma mente urbana habituada com os meios tecnológicos de alta resolução e velocidade. Competir com tais meios para se inserir no mosaico das imagens, letras, palavras e paisagens fez-se urgente. Um transeunte morreu a pouco por que esqueceu-se que na legislação oficial do nosso município não se pode sair depois das quinze horas sem guarda-chuva. É verão na grande cidade. Pára-raios só a alguns metros de distância. A ignorância nos faz rir dos momentos infelizes dos outros. Outro dia foi bem aqui perto. Naquela esquina em que cruza uma grande avenida com o batalhão das forças armadas. Havia soldados por todos os lados. Nenhum avistou o acidente eminente. Numa patinete seguia o infeliz desavisado. Um carro descontrolado, guiado por um suposto dublê de bancário, derrapou na poça vazia e se chocou com a fuselagem de um tanque abandonado numa velha padaria. Correria! O rapaz desavisado não viu a poça vazia e derramou seu sangue com toda a pose de um toureiro orgulhoso de sua covardia perante a impetuosidade de um touro sadio. Não havia indícios de suicídio, era apenas mais um que se ia. Nenhum obituário nos jornais. O tanque era um artefato de guerra usado como ready-made por um general com pretensões artísticas. No enterro do patinetista, uma linda farda renascentista o revestia.
Escrito por cauelundi às 04h10
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Estréia
Construi um castelo de areia.
Cheio de veias,
caminhos;
teias alheias!
E na semelhança de ter um Cristo em minha ceia,
teci conteúdos (maneiristas,
sofistas,
anti-atomistas;
pseudoclericais).
Fui (e sou?)
imundo,
sujo,
imoral enquanto catequese.
Minha prece se preza ao banal!
Louvemos aos interditos: viva o incesto!
a baixaria!
a pornografia.
O dedo no nariz tirando meleca que dizem apenas: abaixo as calças,
calcinhas e cuecas;
sutiãs também!
Vamos viver o nù...imortal?!!!
Intelectual?!!!
Que tal um...ménage a trois?!!
Como desfazer as amarras de um pacto social..."equilibrado",
rompendo o nosso cordão umbilical com a "civilização",
numa ação de tal serenidade que fizesse da sanidade a privada de nossa vã razão?
Uma solução pós-moderna;
atual!!!
Cauê Lundi
Escrito por cauelundi às 22h54
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